Superdesenvolvimento e Índices Sustentáveis

13/02/2012

 

          No atual contexto, onde se falam em países em desenvolvimento e desenvolvidos, é pertinente falarmos em superdesenvolvimento como uma possibilidade das sociedades ricas. É bem possível que a expansão contínua da economia traga benefícios, mas, ao mesmo tempo, os problemas da riqueza tendem a se acumular. A implicação não é que o crescimento econômico tenha de parar, mas que não deve ser buscado independentemente de suas consequências mais amplas. Para esses países, é essencial criar medidas mais eficazes do bem-estar do que o PIB. Este é normalmente definido como o valor total de mercado de todos os produtos finais e serviços produzidos numa economia em determinado ano. Ele não foi inventado como um indicador do bem-estar, mas passou a ser usado dessa maneira em quase toda parte.
          Usar o PIB como medida de crescimento tem claras vantagens, inclusive as da simplicidade e da facilidade de cálculo. Todavia, suas insuficiências como índice do bem-estar econômico são bem conhecidas. Nas medições do PIB, atividades prejudiciais ao meio ambiente podem ser consideradas geradoras de riqueza. O PIB não estabelece distinção entre o crescimento industrial poluidor e o que não polui. Tampouco leva em conta a desigualdade econômica, podendo continuar a crescer, mesmo que apenas uma parcela da população tenha alguma ganho.
          A crítica ao PIB como medida de bem-estar já tem muitos anos. É preciso introduzir medidas mais amplas do bem-estar para que tenhamos uma ideia verdadeira de como estão se saindo as sociedades, como resultado do crescimento econômico. Uma dessas medidas é o Indicador de Progresso Genuíno (IPG), lançado em 1995 por John Talberth e Clifford Cobb. Ele começa por medidas de consumo pessoal semelhantes às do PIB, mas faz um ajuste por fatores como a distribuição de renda, o valor do trabalho doméstico e do trabalho voluntário, a criminalidade e a poluição. Outra medida é o Índice de Bem-Estar Econômico Sustentável (Ibes). Ele usa dados nacionais e locais para identificar tendências. Um estudo que examinou o período de 1975 a 1990 mostrou que, embora o PIB houvesse continuado a crescer, o Ibes tivera uma redução de 25% nos EUA. No mesmo período, esse índice teve um declínio de 50% no Reino Unido. Um terceiro indicador, é o Índice de Sociedade Sustentável (ISS), foi criado em 2006. Ele se serve, além de medidas econômicas, de um leque maior de medidas ambientais do que os outros, inclusive o esgotamento de recursos naturais e matérias-primas não renováveis, junto com o nível de emissão de carbono e outras causas potenciais de prejuízos para o meio ambiente. Os resultados mostram conclusões semelhantes as do Ibes: o crescimento, na maioria dos países industrializados, encontra-se estagnado desde a década de 70.
          Por que a maioria dos países reluta tanto em dar destaque ao uso dessas medidas? Há uma resposta óbvia: elas mostram o desenvolvimento econômico sob uma luz mais crua do que o PIB. De repente, mostra-se que um governo que parecia ter um bom histórico de sucesso econômico vem presidindo um declínio do bem-estar. Portanto, devemos enfrentar essa dificuldade. Todo país, mas em especial os desenvolvidos, deve introduzir medidas alternativas do bem-estar, paralelamente a medidas econômicas estritas, e eles devem ser divulgados para que a população se intere de como se dá o desenvolvimento de seu país e o quão sustentável ele é.

 

 

Escrito por João Henrique Franco,

estudante de Tecnologia em Gestão Ambiental no IFRS - Câmpus Porto Alegre.

Superdesenvolvimento e índices sustentáveis

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