Pedagogia da Terra: uma oportunidade para se rever muitos valores

28/05/2012

 

          Sendo aluno de Licenciatura em Ciências da Natureza, parece-me coerente tratar das questões de meio ambiente sob as "lentes" da educação. Desta forma, neste artigo trago algumas reflexões para o leitor sobre a intrínseca relação da educação com o meio ambiente e da importância desta para a mudança de valores por parte de nossa sociedade. Basicamente, farei isso utilizando um artigo de Moacir Gadotti sobre a Pedagogia da Terra.
          Em um artigo enviado para a Revista Pátio, publicado em 2002, Moacir Gadotti destaca que "precisamos de uma 'Pedagogia da Terra', uma pedagogia apropriada a esse momento de reconstrução paradigmática, apropriada à cultura da sustentabilidade e da paz". Juntamente, o autor descreve um conjunto de saberes/valores interdependentes que fundamentam esta "Pedagogia da Terra", os quais resumo abaixo:
- Educar para pensar globalmente: é preciso saber pensar e não apenas acumular informação;
- Educa os sentimentos: é preciso educar para sentir e ser sentido. Somos humanos porque sentimos e não apenas porque pensamos;
- Ensinar a identidade terrena como condição humana essencial: nossa identidade é tanto individual como terrena;
- Formar para a consciêncoa panetária: é preciso desenvolver o processo de planetarização, no qual existe uma só nação, somos todos interdependentes;
- Formar para a compreensão: é necessário educar para se comunicar e não comunicar para explorar, não para tirar proveito do outro, mas para compreendê-lo;
- Educar para a cimplicidade e para a quietude: a simplicidade deve ser voluntária, como a mudança de nossos hábitos de consumo, reduzindo nossas demandas. A quietude é uma virtude conquistada com a paz e não com o silêncio imposto.
          Ao ler este artigo, ao mesmo tempo fiquei assustado com a complexibilidade de ações necessárias para a mudança de paradigma citada pelo autor, fiquei também convicto que essas ações devem visar resultados a longo prazo. Ou seja, não basta apenas que se criem leis, a saída está no educar, em formar pessoas conscientes das implicações que suas ações geram.
          Desta forma, se o que é preciso é educar, a educação recebe um papel central nesta nova concepção de viver. Na construção deste novo paradigma, o professor volta a assumir destaque na sociedade, possuindo um papel importantíssimo não apenas para a educação do humano, mas para a sobrevivência desse.
          É triste pensar na situação delicada do ponto de vista social, ambiental e cultural pela qual estamos passando, mas parece que isso tudo vem a ser uma oportunidade para repensar nossos valores, ou seja, se o que é nosso poder de compra ou nossa qualidade de vida, educação, saúde, etc.

 

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GADOTTI, M. Pedagogia da Terra e Cultura. Revis Pátio. Porto Alegre: Artes Médicas, n. 19, p. 10-13, nov/jan 2002.

 

 

*Escrito por Ivan Francisco Diehl,

estudante de Licenciatura em Ciências da Natureza no IFRS - Câmpus Porto Alegre.